Seu nome era Jacob Nonatto, filho de uma tradicional família do interior do Paraná . Cidade esta de singelo nome Cambará, famosa por sua pinga, rara hoje em dia pois em algum momento a destilaria teve que fechar suas portas, por conta de um rombo em seu livro caixa. Coisas relacionadas a algum nome importante, la de Cambará, claro.
Jacob, como todos os meninos daquela época, passava os dias jogando
bola de capotão com seus amigos, ia pra escola de manha, ajudava
seus pais na sua também tradicional loja de conveniências, como
diriam os comerciantes de hoje, naquela época,chamava-se
o imponente nome de “Venda Nonatto”. Jacob, como também todas as crianças
daquela época, fez crisma, 1ª comunhão e demais convenções que uma
família tradicional, católica apostólica romana, exige. Ele era o tipo de
garoto que ficava horas viajando, na sua cachola,
deitado no gramado de casa, olhando os
formatos das nuvens, e pensando como poderia, aqueles amontoados de pingo de água, como aprendeu na escola, que eram as nuvens, imitarem os bichos que tem aqui em baixo. Deus era um cara danado de esperto mesmo.Bom, o tempo passou e como acontece com todos os que crescem no interior e que não querem ficar por lá, foi embora pra capital. Seu primeiro emprego foi de chapeiro numa famosa rede de fast-foods, o que já era um avanço entrar numa empresa famosa que via na TV lá em Cambará. Ia pra casa tarde da noite, aprendeu algumas gírias e quando dava, olhava pras nuvens, e o que ele via eram os sanduíches que ele tinha que montar no emprego, não mais os bichos.Deus era um cara danado mesmo. Ele mostra o que agente descobre, imagina aquelas nuvens que não formam nada, pelo menos que ele conhecia. No emprego, ele foi apelidado de “judeuzinho”, por causa do nome, e nem ele mostrando os conhecimentos que tinha de catolicismo, não tinha Cristo que fizesse provar que não era judeu, assim ele ficou conhecido: Judeuzinho.
Jacob, o judeuzinho, que não era judeu e sim católico apostólico romano, decidiu que fazer sanduíches já estava pra lá de chato, despediu-se de seus então novos amigos e foi trabalhar numa fábrica, que tingia couros. Ele, lá em Cambará, via o que se podia fazer com couro: bolas, sapatos, selas, chicotes, mas nem imaginava como o couro, ficava preto, marrom, as vezes vermelho e até verde!! O que ele achava interessante alguém usar couro, pintado de verde, na verdade achava até feio, estranho, mas então ele começou a passar seus dias tingindo couro, e quando olhava pras nuvens, já não enxergava bicho, nem sanduíches, na verdade começou a rarear imagens nas nuvens. Vai ver que ele tinha era que descobrir outras coisas pra Deus mostrar nas nuvens. No primeiro mês que ele começou a trabalhar nesta fábrica, entrou um antigo companheiro de chapa, que prontamente ficou feliz em encontra-lo, e que também ajudou a espalhar o singelo apelido, sendo assim, Judeuzinho ficou famoso por ser um católico judeu.
Um dia, , fez sozinho um sapato com retalhos de couro, seu gerente,
que este sim era judeu, achou o sapato bonito, e por ter como aprendizado de
sempre um judeu ajudar o outro, mostrou ao dono da fábrica. O dono da fábrica chamava-se Sr. Canaã, este também de mesma crença, e gostou muito do que viu. Chamou Judeuzinho pra sua sala e discorreu uma enorme conversa de que como ele, também começou de baixo e montou seu império a custo de muito trabalho e ofereceu
o notório cargo de “criador de peças para vestimentas”. Assim, em apenas 2 meses, Jacob já era o preferido do gerente, do dono, e um exemplo a ser seguido pelos colegas. O tempo então passou, Judeuzinho foi ficando famoso, pelos seus sapatos que foram cada vez mais sendo pedidos pelas grandes lojas e em menos de 3 anos, já tinha o mais alto cargo na fabrica, tinha ficado rico, ajudado seu amigo chapeiro colocando-o como seu ajudante pessoal até chegar o dia em que o dono da fabrica, que tinha apenas uma
filha, apresentou-a a judeuzinho e o romance foi inevitável, assim como o casamento. Sendo assim, ele começou a freqüentar as altas rodas da sociedade, apresentado aos maiorais da cidade, do prefeito ao dono das bancas de jogo do bicho, e judeuzinho foi cada vez mais se interessando pela tal da “política”, conversa constante entre aqueles que agora o rodeavam.
Não demorou muito, Judeuzinho com a fama que havia batido em sua porta, lembrou de sua cidade natal, a velha Cambará. Olhou pra cima e viu numa grande nuvem, o prédio velho da prefeitura de lá e teve uma idéia. Decidiu então, usar o dinheiro que conseguiu bem como seu apoio no meio político e voltou para o interior. Lá, Judeuzinho, apelido que sua mãe não apreciou nem um pouco, ela que era uma tradicional seguidora do catolicismo apostólico romano, mas feliz com o reencontro do agora famoso e bem sucedido filho. Na primeira campanha, foi eleito com maioria esmagadora de votos, tornando-se Prefeito! Melhorou o calçamento das ruas, implantou novas praças e renovou os prédios públicos, com isso, a antes pacata cidade de Cambará, ficou famosa e atraiu moradores de outras cidades e também, até da capital. Com isso, O progresso fez-se na cidade. Comerciantes aumentaram suas lojas, tudo foi progredindo espantosamente e com o progresso, veio os problemas. Lugares calmos, transformaram-se em antros de luxuria e perdição, grandes lojas abriram filiais, Judeuzinho começou a perceber que sua cidade mudava a cada dia, olhava pras nuvens e so via nuvens e mais nada. Até o antes tranqüilo jogo do bicho, que o pai de judeuzinho anotava na venda, já tinha o controle dos que o elegeram. Aumentava-se a população, e com isso, apareceu a primeira favela da cidade. Judeuzinho, que já tinha visto isto na capital, sabia que não era boa idéia ter na sua cidade e começou a matutar alguma resolução pra este problema.
Mais ou menos ao mesmo tempo, Sr. Canaã, agora sogro de Judeuzinho, sugeriu abrir uma filial da fabrica de sapatos na cidade, o que geraria empregos e tal. Assim, foi fundada a Fabrica Couros Cambara Ltda. Os ruralistas da cidade ficaram empolgados, afinal, o couro de seus gados poderiam ser vendidos para fábrica. Poucos dos moradores desta favela foram escolhidos para o trabalho, afinal, como era uma filial da fabrica da capital, era exigido experiência. Também, a qualidade dos couros, que os
ruralistas agora tinham que tratar melhor seu gado, para que não houvesse danos
ao couro para vender a fabrica. Como não dispunham de muito dinheiro, foram perdendo para grandes fazendas das redondezas, e não gostaram nada disso.
Pobre Judeuzinho, já escutava nos bares e rodas de conversa na praça, que ele
apenas veio pra desgraçar a cidade e mais nada. A favela aumentava de acordo
com o tempo, e apareceram então, os guardadores de carro, flanelinhas, pedintes
de sinal, enfim, Cambara agora era cidade grande.
Numa manhã, enquanto os rumores de antigos moradores desgostosos, ruralistas
reclamando que estavam sendo saqueados, seus pomares invadidos e gado sendo
morto, olhou pra cima e viu nas nuvens uma grande rua com pomares ao lado,
teve uma idéia: na cidade, havia um pomar que era usado pela antiga prefeitura
para fazer merenda, hoje distribuída por uma empresa terceirizada, decidiu por
aquele povo todo pra cuidar e criar o “Pomar da Família”. Era para ser uma maneira de aquele povo cultivar a terra e ter como sobreviver da terra. Em dois meses, esse “povo”
que la foi colocado pra cuidar, com casas pré-fabricadas e ruas arborizadas, já
estavam oferecendo o espaço para carros e ficou dividida em dois grupos:
a turma das frutas e a turma que ficou com o lado das verduras. Não precisa
dizer que, os comerciantes não gostaram da idéia afinal eles estavam perdendo
clientes que iam comprar dos agora chamados “Pomeiros”.
Foi feita uma reunião de emergência com os comerciantes, que queriam
A expulsão imediata dessa gente que “ganharam de mão beijada a terra”
e so estavam tirando o que ali já existia. Ruralistas entraram em conflito
com os flanelinhas pelo uso de sua água e gado que insistiam em roubar a noite.
Começa então uma verdadeira guerra entre ruralistas, flanelinhas e os “pomeiros”
por disputa de lugar, direitos e claro, dinheiro.
Judeuzinho, num ato de total desespero, manda avisar que gostaria de conversar
com os representantes de cada classe para entrar num acordo.
O encontro seria então na praça da cidade, onde ele deitava no gramado para ver
as nuvens. No dia e hora marcado, pra lá Judeuzinho se dirigiu. O rumor de tal
encontro, que voou como fogo em palha seca, ajudou a deixar o centro da cidade
em total alvoroço. Carros já não passavam pelas ruas, ruralistas com seus tratores
e faixas se aglomeravam no lado norte da praça, enquanto no lado sul os comerciantes
e lado oeste os flanelinhas, com apoio dos flanelinhas la do Pomar da Família, de olho
no lucro dos viveres e finalmente ao leste da praça os Pomeiros.
Judeuzinho, antes de falar pediu uma prece para apaziguar os ânimos, neste momento,
um acólito evangélico começa a bradar palavras de que tudo aquilo era intervenção
do Diabo, enquanto o vigário pede calma as suas beatas. Não mais que de repente,
uma berinjela atinge o líder dos ruralistas que não se fez de rogado e tocou o trator
em cima dos pomeiros, acreditando que partira deles a agressão. A batalha começara,
frutas, verduras, tratores, garrafas de detergente, paus pedras, a policia
do municipio começa de descer o borrachão em todo mundo e ouve-se um tiro!
A população estaca , a batalha que havia atingido um nível surreal, paralisa como
que por mágica e no centro de tudo isso, no coreto da praça, Judeuzinho esta deitado
com uma mancha vermelha em seu peito. Enquanto a policia agora sem controle prende, bate, atira e explode a esmo, todas as facções correm, fogem, brigam, Judeuzinho
caído, olha pra cima e vê um céu sem nuvens, Deus não tinha nada a mostrar nas
nuvens pra ele naquele momento.
No dia seguinte, a cidade estava de luto, Judeuzinho fora enterrado como herói,
filho pródigo de Cambará, a pedido da mãe, missa católica apostólica romana, com
um discurso da comunidade judaica à parte e neste dia, o céu encobriu-se de nuvens
Fim de ano, correria, presentes, festas, confraternizações
e com elas, inevitáveis ressacas.
Foi com uma dessas que fui impeduosamente
acordado numa manhã dessas. Só quem trabalha,
leia-se escravo, no ramo do "comércio" sabe o que significa
essa época: Tem hora pra entrar, mas nem fodendo tem
pra sair do trampo! Enfim, convenções trabalhistas à
parte, estava de folga, sabadão, tendo um luxuriante sonho
quando a campainha toca! Uma, três vezes..como sempre existe alguém
vendendo ou pedindo algo, tento ignorar mas alguém la fora nao desiste fácil.
Não sem a conhecida dor de cabeça, olho por entre as frestas da
cortina e me deparo com uma horda de engravatados
com pastas e reconhecíveis compêndios religiosos
á tira-sovaco. Espio o relógio, 8:30 da matina...
quem em nome de Deus sairia a essa hora, num sábado,
pra bater na porta dos outros??????
Pois sim, eles!!
E pelo tanto que tinha na rua, a fama da nossa casa
já deveria ter ultrapassado os limites da perturbação
da paz e já havia chego em alcunhas celestiais!
E que pessoal insistente este!! Eu devo ter feito
algum barulho ou moviemnto que não passou alheio
pelo mais perspicaz deles e entao, além da campainha,
bateram palmas.
Vencido, abri a porta e fui de encontro ao meus algozes.
Passaram-me folhetos, deram algumas pistas de como ser um verdadeiro
crente e seguidor da Palavra. Como poderia eu, explicar que naquele exato momento eu entederia algo da Palvra se nem ao menos conseguia esboçar uma sequer???
Fui salvo, por ironia do destino, exatamente por aqueles
que nunca conseguirão: Raiska e Nóia, heróis caninos!
Vendo minha total incopetência para desvencilhar-me
de toda aquela gente e talvez, incomodados tanto
quanto eu por serem acordados,
começaram a latir descontroladamente,
desconfortavelmente e até, por que não,
descaradamente entre mim e os outros!!
Vendo que nem eu, nem meus cachorros estavam deveras
contentes com tudo aquilo, foram embora e deixaram:
HOJE NÃO USAREI DE MEIAS PALAVRAS USAREI SIM DE LEMBRANÇAS DOS CAMINHOS GANHOS DO MEU ALL STAR DE CANO BAIXO E DOS DOIS PNEUS GASTOS DA MINHA MOTA HOJE NÃO VOU CHORAR PELO UISQUE DERRAMADO PELO CONHAQUE OU DO PÉ NA LAMA HOJE NÃO, VOU USAR SIM DAS LEMBRANÇAS DAS GARRAFAS ESVASIADAS E DAS MENTIRAS GLUTONAS CONTADAS ENTRE UM COPO E OUTRO. E QUANDO DEIXO TUDO SEM SENTIDO TUDO TRANSFORMO EM COISA ALGUMA E DE TODAS AS FORMAS SÓ PRA VOCE NÃO CHEGAR EM CONCLUSÃO NENHUMA. HOJE USAREI DAS LEMBRANÇAS
De passagem pelo tempo junto o pó da estrada que percorri com o do porta-retratos da estante Deixo as pegadas no pó pra você varrer debaixo do tapete. Coisas da vida. De passagem pelo tempo ponho tudo a perder, atraio vida, as vezes calor reinvento cumplicidades e ainda não consigo dormir. Coisas da vida. De passagem pelo tempo inverno por sobre tua janela veraneio pelas ruas, e largo tudo em bares, lugares, olhares pois ali que me encontro. Coisas da vida.
cannot sleep cannot sleep well cause in my mind isn´t one life´s way Coisas da vida.
Saudades:s. f.,lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir; pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia;S
Se tivesse a chance, qual mataria? Digo saudade, não vá levar em consideração as atitudes broncas do Tico Litlle, mas sim, qual seria a saudade que você mataria sem pestanejar? "Lembranças tristes e suaves" Só nesse começo ja me vem algumas, e pode estar certo, de algumas eu preferiria nem lembrar, mas outras eu as reviveria só pra ver que destino poderia ter dado minhas linhas tortas se tivesse agido de forma diferente. Há! ..."de pessoas ou coisas distantes ou extintas!!!" É... e tem mais: "acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir.." putz!! Tenho cá uma pontada, daquelas que só se tem quem tem, só se sabe quem sabe, dessas que agente se pega lembrando e pensando, dessas que se jurou entre copos e pedras no muro, que nunca mais, digo, nuunca mais deixaria que elas voltassem nem que lhe pagassem uma caixa de cerveja...tá! Aí foi demais, afinal uma caixa de bera é uma caixa de bera, mas lá vem ela, a tal SAUDADE. E como um simples e reles mortal que sou, também me peguei assim, tentando apagar e matar, essa danada e tinhosa sensação, tentando respirar por fora d´água, mas... quando a luz da placa la de fora acende, mesmo sem precisar e muito menos me perguntar se pode, aí eu vejo que ta na hora de abrir mais uma garrafa, dar mais um sorriso cor de Q-Boa e deixar que a rua me leve.
Hoje eu a fechei dentro de um livro, entre as páginas 32 e 33, justamente quando a mocinha vai dar aquele beijo no mocinho, sim, ela vai dar o beijo, aquele que diz tudo, que sangra, que faz com que o pobre tenha que se afastar pra que ela não perceba o crescente de sua paixão..bem nesse ponto, eu a fechei!! Sim eu a fechei dentro do livro, por que conheço essa historia, não que tenha lido o livro inteiro, não, mas a história, essa eu conheço bem! Ela vai se meter em com algum dragão, vai ser raptada por algum vilão, vai tropeçar e torcer o tornozelo e o coitado do mocinho, o pobre terá que se desdobrar e toda aquela função de sempre vai ter que suportar, e pior, vai gostar. Fechei nessas paginas 32 e 33, a ansiedade, paixão, desejo, raiva, tesão, fechei com ela minhas horas, minhas noites mal dormidas, a solidão dos amantes, o chamado das viúvas, deixei tudo ali dentro, e dentro jogado em qualquer lugar da estante de todos tantos outros livros que já desisti. Que ela, fique ali, dentro desse livro, e que ele fique ali, dentro daquela estante, e quando, e se eu ainda tiver coragem, eu o procurarei outra vez, e quando, se eu achar, eu o lerei novamente, á partir das paginas 32 e 33. Texto- Tico Cardinal Foto/imagem - Manoela Afonso...acessem o link abaixo!!!!!!! www.manoelaafonso.zip.net
A noitinha chegou. Amarela, molhando a terra, colorindo paredes, trazendo tons e perfumes que só as tardes de inverno possuem. Passos apressados passam e se perdem e me pergunto se nesse exato momento quantas pessoas estariam resmungando alguma praga por causa do seus cabelos armados pela chuva, quantos corações estariam apertados, felizes, ansiosos, perdidos, tristes.
Vendo todas essas cores pela vidraça da janela, essa transparente e embaçada, fico imaginando. A noite veio em seguida já sem tantas cores, só a dela mesma, escura e melancólica. Espero as horas correrem, escorregadias entre os dedos do Sr.Tempo, mas que fazem os relógios funcionarem lentos, envelhecendo um ano a cada minuto.
Mas que a noite comece, que seja realmente longa e vermelha, em contraste com o amarelo de outrora, que venha quente e úmida, pois só é meu o momento agora, minha sede volta, o brilho nos olhos e o apurado gosto pela caça!
Ao todo são 46 quilos de espera mais os passinhos inquietos que eu dou. De longe é pressa, de perto é alegria. Agora o direito de acabar com o inverno na minha barriga é inteiramente seu.Eu bebo o café dorminhoco, eu penso em consumir todo espaço que se atreve entre nós, eu faço tanta coisa, eu falo tão alto, mas na verdade eu só queria engordar os parágrafos com você. Assar as letras embaixo da tua mão quentinha, fazendo-as crescer espontâneas, com rimas ou não, todas alegres e fáceis.Agora são 46 quilos, infinitos aquilos e eu espero o verão. Luciana Elaiuy