quarta-feira, fevereiro 11, 2009

black+box

-->
Quantas cicatrizes ganhei
quando deixei você ficar
E quantas delas abri
Quando não te deixei ir?
Agora todo o meu nada
corre pra longe de você
como se fosse a primeira vez
perdi, como da ultima vez.
Aquela imagem presa na parede
não mais aparecem sorrisos
Um quadrado destoante do resto
mancha do tempo passado
Igual a nós.

terça-feira, setembro 16, 2008

Um conto que eu conto

Seu nome era Jacob Nonatto, filho de uma tradicional família do interior do Paraná . Cidade esta de singelo nome Cambará, famosa por sua pinga, rara hoje em dia pois em algum momento a destilaria teve que fechar suas portas, por conta de um rombo em seu livro caixa. Coisas relacionadas a algum nome importante, la de Cambará, claro.

Jacob, como todos os meninos daquela época, passava os dias jogando

bola de capotão com seus amigos, ia pra escola de manha, ajudava

seus pais na sua também tradicional loja de conveniências, como

diriam os comerciantes de hoje, naquela época, chamava-se

o imponente nome de “Venda Nonatto”. Jacob, como também todas as crianças

daquela época, fez crisma, 1ª comunhão e demais convenções que uma

família tradicional, católica apostólica romana, exige. Ele era o tipo de

garoto que ficava horas viajando, na sua cachola,

deitado no gramado de casa, olhando os

formatos das nuvens, e pensando como poderia, aqueles amontoados de pingo de água, como aprendeu na escola, que eram as nuvens, imitarem os bichos que tem aqui em baixo. Deus era um cara danado de esperto mesmo. Bom, o tempo passou e como acontece com todos os que crescem no interior e que não querem ficar por lá, foi embora pra capital. Seu primeiro emprego foi de chapeiro numa famosa rede de fast-foods, o que já era um avanço entrar numa empresa famosa que via na TV lá em Cambará. Ia pra casa tarde da noite, aprendeu algumas gírias e quando dava, olhava pras nuvens, e o que ele via eram os sanduíches que ele tinha que montar no emprego, não mais os bichos. Deus era um cara danado mesmo. Ele mostra o que agente descobre, imagina aquelas nuvens que não formam nada, pelo menos que ele conhecia. No emprego, ele foi apelidado de “judeuzinho”, por causa do nome, e nem ele mostrando os conhecimentos que tinha de catolicismo, não tinha Cristo que fizesse provar que não era judeu, assim ele ficou conhecido: Judeuzinho.

Jacob, o judeuzinho, que não era judeu e sim católico apostólico romano, decidiu que fazer sanduíches já estava pra lá de chato, despediu-se de seus então novos amigos e foi trabalhar numa fábrica, que tingia couros. Ele, lá em Cambará, via o que se podia fazer com couro: bolas, sapatos, selas, chicotes, mas nem imaginava como o couro, ficava preto, marrom, as vezes vermelho e até verde!! O que ele achava interessante alguém usar couro, pintado de verde, na verdade achava até feio, estranho, mas então ele começou a passar seus dias tingindo couro, e quando olhava pras nuvens, já não enxergava bicho, nem sanduíches, na verdade começou a rarear imagens nas nuvens. Vai ver que ele tinha era que descobrir outras coisas pra Deus mostrar nas nuvens. No primeiro mês que ele começou a trabalhar nesta fábrica, entrou um antigo companheiro de chapa, que prontamente ficou feliz em encontra-lo, e que também ajudou a espalhar o singelo apelido, sendo assim, Judeuzinho ficou famoso por ser um católico judeu.

Um dia, , fez sozinho um sapato com retalhos de couro, seu gerente,

que este sim era judeu, achou o sapato bonito, e por ter como aprendizado de

sempre um judeu ajudar o outro, mostrou ao dono da fábrica. O dono da fábrica chamava-se Sr. Canaã, este também de mesma crença, e gostou muito do que viu. Chamou Judeuzinho pra sua sala e discorreu uma enorme conversa de que como ele, também começou de baixo e montou seu império a custo de muito trabalho e ofereceu

o notório cargo de “criador de peças para vestimentas”. Assim, em apenas 2 meses, Jacob já era o preferido do gerente, do dono, e um exemplo a ser seguido pelos colegas. O tempo então passou, Judeuzinho foi ficando famoso, pelos seus sapatos que foram cada vez mais sendo pedidos pelas grandes lojas e em menos de 3 anos, já tinha o mais alto cargo na fabrica, tinha ficado rico, ajudado seu amigo chapeiro colocando-o como seu ajudante pessoal até chegar o dia em que o dono da fabrica, que tinha apenas uma

Parte 02


filha, apresentou-a a judeuzinho e o romance foi inevitável, assim como o casamento. Sendo assim, ele começou a freqüentar as altas rodas da sociedade, apresentado aos maiorais da cidade, do prefeito ao dono das bancas de jogo do bicho, e judeuzinho foi cada vez mais se interessando pela tal da “política”, conversa constante entre aqueles que agora o rodeavam.
Não demorou muito, Judeuzinho com a fama que havia batido em sua porta, lembrou de sua cidade natal, a velha Cambará. Olhou pra cima e viu numa grande nuvem, o prédio velho da prefeitura de lá e teve uma idéia. Decidiu então, usar o dinheiro que conseguiu bem como seu apoio no meio político e voltou para o interior. Lá, Judeuzinho, apelido que sua mãe não apreciou nem um pouco, ela que era uma tradicional seguidora do catolicismo apostólico romano, mas feliz com o reencontro do agora famoso e bem sucedido filho. Na primeira campanha, foi eleito com maioria esmagadora de votos, tornando-se Prefeito! Melhorou o calçamento das ruas, implantou novas praças e renovou os prédios públicos, com isso, a antes pacata cidade de Cambará, ficou famosa e atraiu moradores de outras cidades e também, até da capital. Com isso, O progresso fez-se na cidade. Comerciantes aumentaram suas lojas, tudo foi progredindo espantosamente e com o progresso, veio os problemas. Lugares calmos, transformaram-se em antros de luxuria e perdição, grandes lojas abriram filiais, Judeuzinho começou a perceber que sua cidade mudava a cada dia, olhava pras nuvens e so via nuvens e mais nada. Até o antes tranqüilo jogo do bicho, que o pai de judeuzinho anotava na venda, já tinha o controle dos que o elegeram. Aumentava-se a população, e com isso, apareceu a primeira favela da cidade. Judeuzinho, que já tinha visto isto na capital, sabia que não era boa idéia ter na sua cidade e começou a matutar alguma resolução pra este problema.
Mais ou menos ao mesmo tempo, Sr. Canaã, agora sogro de Judeuzinho, sugeriu abrir uma filial da fabrica de sapatos na cidade, o que geraria empregos e tal. Assim, foi fundada a Fabrica Couros Cambara Ltda. Os ruralistas da cidade ficaram empolgados, afinal, o couro de seus gados poderiam ser vendidos para fábrica. Poucos dos moradores desta favela foram escolhidos para o trabalho, afinal, como era uma filial da fabrica da capital, era exigido experiência. Também, a qualidade dos couros, que os
ruralistas agora tinham que tratar melhor seu gado, para que não houvesse danos
ao couro para vender a fabrica. Como não dispunham de muito dinheiro, foram perdendo para grandes fazendas das redondezas, e não gostaram nada disso.
Pobre Judeuzinho, já escutava nos bares e rodas de conversa na praça, que ele
apenas veio pra desgraçar a cidade e mais nada. A favela aumentava de acordo
com o tempo, e apareceram então, os guardadores de carro, flanelinhas, pedintes
de sinal, enfim, Cambara agora era cidade grande.
Numa manhã, enquanto os rumores de antigos moradores desgostosos, ruralistas
reclamando que estavam sendo saqueados, seus pomares invadidos e gado sendo
morto, olhou pra cima e viu nas nuvens uma grande rua com pomares ao lado,
teve uma idéia: na cidade, havia um pomar que era usado pela antiga prefeitura
para fazer merenda, hoje distribuída por uma empresa terceirizada, decidiu por
aquele povo todo pra cuidar e criar o “Pomar da Família”. Era para ser uma maneira de aquele povo cultivar a terra e ter como sobreviver da terra. Em dois meses, esse “povo”
que la foi colocado pra cuidar, com casas pré-fabricadas e ruas arborizadas, já
estavam oferecendo o espaço para carros e ficou dividida em dois grupos:
a turma das frutas e a turma que ficou com o lado das verduras. Não precisa
dizer que, os comerciantes não gostaram da idéia afinal eles estavam perdendo
clientes que iam comprar dos agora chamados “Pomeiros”.
Foi feita uma reunião de emergência com os comerciantes, que queriam
A expulsão imediata dessa gente que “ganharam de mão beijada a terra”
e so estavam tirando o que ali já existia. Ruralistas entraram em conflito
com os flanelinhas pelo uso de sua água e gado que insistiam em roubar a noite.
Começa então uma verdadeira guerra entre ruralistas, flanelinhas e os “pomeiros”
por disputa de lugar, direitos e claro, dinheiro.
Judeuzinho, num ato de total desespero, manda avisar que gostaria de conversar
com os representantes de cada classe para entrar num acordo.
O encontro seria então na praça da cidade, onde ele deitava no gramado para ver
as nuvens. No dia e hora marcado, pra lá Judeuzinho se dirigiu. O rumor de tal
encontro, que voou como fogo em palha seca, ajudou a deixar o centro da cidade
em total alvoroço. Carros já não passavam pelas ruas, ruralistas com seus tratores
e faixas se aglomeravam no lado norte da praça, enquanto no lado sul os comerciantes
e lado oeste os flanelinhas, com apoio dos flanelinhas la do Pomar da Família, de olho
no lucro dos viveres e finalmente ao leste da praça os Pomeiros.
Judeuzinho, antes de falar pediu uma prece para apaziguar os ânimos, neste momento,
um acólito evangélico começa a bradar palavras de que tudo aquilo era intervenção
do Diabo, enquanto o vigário pede calma as suas beatas. Não mais que de repente,
uma berinjela atinge o líder dos ruralistas que não se fez de rogado e tocou o trator
em cima dos pomeiros, acreditando que partira deles a agressão. A batalha começara,
frutas, verduras, tratores, garrafas de detergente, paus pedras, a policia
do municipio começa de descer o borrachão em todo mundo e ouve-se um tiro!
A população estaca , a batalha que havia atingido um nível surreal, paralisa como
que por mágica e no centro de tudo isso, no coreto da praça, Judeuzinho esta deitado
com uma mancha vermelha em seu peito. Enquanto a policia agora sem controle prende, bate, atira e explode a esmo, todas as facções correm, fogem, brigam, Judeuzinho
caído, olha pra cima e vê um céu sem nuvens, Deus não tinha nada a mostrar nas
nuvens pra ele naquele momento.
No dia seguinte, a cidade estava de luto, Judeuzinho fora enterrado como herói,
filho pródigo de Cambará, a pedido da mãe, missa católica apostólica romana, com
um discurso da comunidade judaica à parte e neste dia, o céu encobriu-se de nuvens
e chuveu.

segunda-feira, julho 07, 2008

Seu Céu



Pela primeira vez em muito tempo, hoje eu olhei o céu.

Olhei para o céu, enfim, pro céu.

Não para ver se iria chover, para ver se algum pombo

estaria mirando certeiramente minha cabeça, olhei, pois

tive a nítida sensação que ele olhava pra mim! É, isto mesmo!

Nessa minha andança neste singelo planeta, já o contemplei

porque tava apaixonado, triste, melancólico, bêbado, etc..

Dessa vez, parece que foi ele que me chamou, ao fazer isto,

me veio a cair a ficha de quanto tempo estou aqui e o que

ando fazendo enquanto fico.

Engraçado como numa fração de segundos, toda uma historia

passa na cachola, agora , posso dizer que estou em paz. Como

toda paz, passa! Já estive em paz antes, acredite.

Mas enfim, la estava eu olhando para o

céu curitibano raramente estrelado, e não é que risca-se

uma estrela cadente!?!! Um pedido?? Não fiz, não..sempre fui

horrível em gincanas não iria começar logo agora. Mas

como dizer pra tanta gente, que sinto falta, mesmo não

estando tão presente? Afinal era disso

que assuntou-se entre nós. Então, eu lá de prosa com meu amigo céu,

imaginei estas mesmas tantas, olhando pra ele, e neste exato

momento, um discreto sorriso brotaria em seus lábios, então

eu saberia, saberia que meu recado foi dado.

segunda-feira, maio 12, 2008

Caminhos do tempo

Isso já martelava na minha oca cabeça há algum tempo,

mas foi conversando com um amigo de um amigo, sobre botecos

das antigas, musicas e tal, que o assunto outra vez veio a tona:

Onde estão, com mil tubarões, umas tantas pessoas que passaram

nesta minha desleixada vida???!!

Macacos me mordam!!! Como uma avalanche, sons, rostos,

fumaças,imagens de garrafas e diferentes sensações invadiram minhas memórias

já destruídas por décadas de descaso. Este amigo, do amigo, freqüentou

um bar já extinto, que eu ia quando burlava aula de sexta-feira, mesmo porque,

quem assiste aula sexta á noite?? Bem... nenhum dos dois lembrava um do outro

enquanto freqüentadores, com certeza tem tanto problema de memória quanto eu,

mas e o pessoal que ia comigo? Que estudavam comigo???

É incrível, num tempo em que se tem orkut, e mail, msn, sei lá

mais o que, não saiba patavinas sobre essa gente!

Então, retomei la nos primórdios da minha pré adolecencia e

não lembrei quase nada!! Mesmo assim, quase em curto circuito,

me veio os anos 80! Sim, era pivete mas foi ali que comecei meus

passos, entre uma festinha aqui, escutando discos que acabaram por

formar meu gosto musical, tomando meus primeiro porres, e tinha

os “melhores amigos” que hoje nem onde moram eu sei. Tem o Doca que

tem até o link dele aqui no blog, pelo menos virtualmente ta aí.

Pulando já pros anos 90, aí já com uma certa galhardia no ramo

etílico, lembro do pessoal do Nison Ribas, que de tantas, só sobrou o Walter,

a Heidy, graças ao orkut por que se não...Então bate na trave do bar citado no começo.

Onde estão aquelas minhas amigas e companheiros de boteco? Naquela época

passamos por poucas e boas, hoje, onde estarão? Lê, Michelle...

Há... no final dessa década, fui morar na praia!! Sim, o saudoso Necrose

surf Bar em Ipanema beach!! Conheci tanta gente, fiquei , ri, surfei, bebi e

apaixonei-me por poucas, lá morei com mais um pessoal que durante

este tempo virou minha família, meus amigões mesmo. Fui padrinho de

casamento de um deles até!!! Pra variar....vai saber. 

Claro que tem uma galera daquele tempo que ainda tenho contato, Evanise, Marquinhos, Celsinho

Elisa... mas a grande maioria...

Nesse meio tempo, tem o Carlão lá do Omar, que pelo visto, foi pra Nasa

sei lá. E tem também aquele pessoal, que você até sabe onde esta, o que ta

fazendo e tal, mas se lembrasse do que já passou antes, conseguiria deixar tudo

como está agora? Pelo visto... Já nos 2000 pra cá, tem os caras que já casaram,

meninas idem, nomes e rostos que vem e vão enquanto escrevo, e pra ajudar,

ouço as relíquias de quase 20 anos de historia disso tudo. Nessa linha do tempo,

poucos ainda viajam comigo, amigos/irmãos, que sabem que são. Pessoas

que foram importantes, hoje estão aqui na cidade, outras em outros continentes,

mas nenhuma realmente presente.

Se você fez parte dessa historia, que quem sabe lê, nem que raramente

o blog deste lunático amigo, deixa ae teu alô, e de preferência,

um numero para contato!!

Vai que voce lembra mais que eu.

terça-feira, abril 08, 2008

HAIKANDO

EM MIM
MINUCIAS
DE UM MINUTO
DIMINUTO
.
.
.
.
.
.
.
.
E NÃO VOU DIZER QUE SINTO MUITO
POIS NAO SINTO
MUITO.

terça-feira, janeiro 29, 2008

Animula, vagula blandula..


Eu sou a soma de 2 muros
um que fiz com as pedras que tirei do meu caminho
e outro com as que eu mesmo as coloquei

Mas esses dois muros
me fizeram um caminho
no qual eu sigo,
sempre e para sempre..
Tico Cardinal

sábado, dezembro 22, 2007

Assim canina a humanidade!

Fim de ano, correria, presentes, festas, confraternizações
e com elas, inevitáveis ressacas.
Foi com uma dessas que fui impeduosamente
acordado numa manhã dessas. Só quem trabalha,
leia-se escravo, no ramo do "comércio" sabe o que significa
essa época: Tem hora pra entrar, mas nem fodendo tem
pra sair do trampo! Enfim, convenções trabalhistas à
parte, estava de folga, sabadão, tendo um luxuriante sonho
quando a campainha toca! Uma, três vezes..como sempre existe alguém
vendendo ou pedindo algo, tento ignorar mas alguém la fora nao desiste fácil.
Não sem a conhecida dor de cabeça, olho por entre as frestas da
cortina e me deparo com uma horda de engravatados
com pastas e reconhecíveis compêndios religiosos
á tira-sovaco. Espio o relógio, 8:30 da matina...
quem em nome de Deus sairia a essa hora, num sábado,
pra bater na porta dos outros??????
Pois sim, eles!!
E pelo tanto que tinha na rua, a fama da nossa casa
já deveria ter ultrapassado os limites da perturbação
da paz e já havia chego em alcunhas celestiais!
E que pessoal insistente este!! Eu devo ter feito
algum barulho ou moviemnto que não passou alheio
pelo mais perspicaz deles e entao, além da campainha,
bateram palmas.
Vencido, abri a porta e fui de encontro ao meus algozes.
Passaram-me folhetos, deram algumas pistas de como ser um verdadeiro
crente e seguidor da Palavra. Como poderia eu, explicar que naquele exato momento eu entederia algo da Palvra se nem ao menos conseguia esboçar uma sequer???
Fui salvo, por ironia do destino, exatamente por aqueles
que nunca conseguirão: Raiska e Nóia, heróis caninos!
Vendo minha total incopetência para desvencilhar-me
de toda aquela gente e talvez, incomodados tanto
quanto eu por serem acordados,
começaram a latir descontroladamente,
desconfortavelmente e até, por que não,
descaradamente entre mim e os outros!!
Vendo que nem eu, nem meus cachorros estavam deveras
contentes com tudo aquilo, foram embora e deixaram:
"Deus abençoe você e seus adoráveis cães"
AMÈM!

segunda-feira, dezembro 10, 2007

BEBUM OMNIA VINCIT

HOJE NÃO USAREI DE MEIAS PALAVRAS
USAREI SIM DE LEMBRANÇAS
DOS CAMINHOS GANHOS DO MEU ALL STAR DE CANO BAIXO
E DOS DOIS PNEUS GASTOS DA MINHA MOTA
HOJE NÃO VOU CHORAR PELO UISQUE DERRAMADO
PELO CONHAQUE OU DO PÉ NA LAMA
HOJE NÃO,
VOU USAR SIM
DAS LEMBRANÇAS
DAS GARRAFAS ESVASIADAS E DAS MENTIRAS
GLUTONAS CONTADAS ENTRE UM COPO E OUTRO.
E QUANDO DEIXO TUDO SEM SENTIDO
TUDO TRANSFORMO EM COISA ALGUMA
E DE TODAS AS FORMAS
SÓ PRA VOCE NÃO CHEGAR EM CONCLUSÃO NENHUMA.
HOJE USAREI DAS LEMBRANÇAS
E JUSTAMENTE DAS QUE POUCO LEMBRO
INVENTAREI FINAIS MELHORES
SÓ PRA DIZER A VERDADE.

quarta-feira, outubro 17, 2007

CANNOT SLEEP



De passagem pelo tempo
junto o pó da estrada que percorri
com o do porta-retratos da estante
Deixo as pegadas no pó
pra você varrer debaixo do tapete.
Coisas da vida.
De passagem pelo tempo
ponho tudo a perder,
atraio vida, as vezes calor
reinvento cumplicidades
e ainda não consigo dormir.
Coisas da vida.
De passagem pelo tempo
inverno por sobre tua janela
veraneio pelas ruas,
e largo tudo em bares, lugares, olhares
pois ali que me encontro.
Coisas da vida.

cannot sleep
cannot sleep well
cause in my mind
isn´t one life´s way
Coisas da vida.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Nao Pude Evitar

Não pude evitar
de dizer que já era tarde
de reconhecer que era verdade
que o melhor era ir pra casa
ao menos esta noite

Não pude evitar
quando paguei pra ver
o quanto valia o sonho
e nada disso foi errado
apesar de tudo eu ter quebrado

Não pude evitar
quase sem querer deixar esperando
dizer a verdade
mesmo mentindo e
acreditar nas mentiras dessas verdades

Não pude evitar
de saber a presença
não tentei evitar
deixar a janela aberta
não quis evitar

Foi pra descobrir
o Homem inventou óculos escuros
porque Deus teimou em criar
a lágrima.

quinta-feira, maio 03, 2007

Caminhos

Ecatombe
Nakatomi
lembranças que Monte Fuji.
Reciprocidade
imparcialidade,
pedaços de mim mesmo.
Eclipse,
sinapse
Lida
constante vida.
fecho a luz e apago a porta ,
acenda o som,
nada importa.
Apenas flores desenhadas.
Espera,
certeza esperta.
Pensamentos fugidios,
cachorro de sentimento vadio.
Windows Media,
CD, bucólicas fitas player.
daikiris
entorpes capivaris.
Chamada que não se vê,
sinal deixado
palavra que não se lê.
Quimeras,
réquiem, alguém.
Velas de madrugadas acesas,
galhardia,
o que interrompe o dia?

sexta-feira, março 09, 2007

Once upon the time

De uma antiga memória
Nada poderia ser real
Apenas o vento
Ouviu o que não pôde ser dito
Do que não pôde ser conhecido
Fogo que não pôde ser queimado
Noites que passaram
Luares que não brindaram
Povoando pensamentos
Não resistindo ao chamado
Vigio pelas estrelas
Vias de um caminho cortado

quinta-feira, outubro 05, 2006

365 tempos

Quanto tempo se precisa, pra que tudo passe?
Passe o tudo de um tudo
Temporariamente, passo meus dias acordando,
comendo, trabalhando, bebendo, dormindo.
Não nescessariamente nessa ordem de tempo
mas isso tudo na verdade
é um passa-tempo.
Chato!
Pois o próprio tempo, pode passar
lento
quase um contra-tempo!
Exitem tempos bons.
Tem o tempo bom
aquele de Sol e de Lua
Existem tempos ruins.
E os tempos ruins
de chuva e solidão.
Uma vez me disseram:
"Voçê tem todo tempo do mundo!"
O tempo passou e hoje não tenho tempo
nem de não ter tempo.
Tudo continua passando
horas
dias
meses
anos
séculos
tudo se passa por aqui
bem aqui
mas não será
um tempo perdido
entre um tempo
e o tempo que demora
o tempo que me olha.
Tico Cardinal

sexta-feira, setembro 22, 2006

Anuviar


E amanheceu com um sininho
Soletrando os traços desse nome
E o que sobrou de nós
Os dois
antes
depois
Trancafiado nesse alumbramento
Parado neste instante
Recolhido no momento
Entre o olhar e o reconhecimento
Sendo ausente
Sereno
Bateste em minha janela
em manhã de chuva clara
Céu abrindo
Sendo Sol
Como nuvem
Vai embora.
Tico Cardinal

quarta-feira, setembro 06, 2006

HLN

Saudades: s. f.,lembrança triste e suave de pessoas ou coisas distantes ou extintas, acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir;
pesar pela ausência de alguém que nos é querido; nostalgia;
S
Se tivesse a chance, qual mataria? Digo saudade, não vá levar em consideração as atitudes broncas do Tico Litlle, mas sim, qual seria a saudade que você mataria sem pestanejar? 
"Lembranças tristes e suaves" Só nesse começo ja me vem algumas,
e pode estar certo, de algumas eu preferiria nem lembrar, mas outras eu as reviveria só pra ver que destino poderia ter dado minhas linhas tortas se tivesse agido de forma diferente.
Há! ..."de pessoas ou coisas distantes ou extintas!!!" É... e tem mais:
"acompanhada do desejo de as tornar a ver ou a possuir.." putz!!
Tenho cá uma pontada, daquelas que só se tem quem tem, só se sabe quem sabe, dessas que agente se pega lembrando e pensando, dessas que se jurou entre copos e pedras no muro, que nunca mais, digo, nuunca mais deixaria que elas voltassem nem que lhe pagassem uma caixa de cerveja...tá! Aí foi demais, afinal uma caixa de bera é uma caixa de bera, mas lá vem ela, a tal SAUDADE.
E como um simples e reles mortal que sou, também me peguei assim, tentando apagar e matar, essa danada e tinhosa sensação, tentando respirar por fora d´água, mas... quando a luz da placa la de fora acende, mesmo sem precisar e muito menos me perguntar se pode, aí eu vejo que ta na hora de abrir mais uma garrafa, dar mais um sorriso cor de Q-Boa e deixar que a rua me leve.

Tico Cardinal

sexta-feira, julho 28, 2006

anoiteço, chovo e inspiro

ANOITEÇO!
Beijo-te com os meus olhos
sangro
te perco pelos poros.

CHOVO!
Pela calçada que não notas
eu molho
clamo
eu fico.

INSPIRO!
Quebro espelhos
derrubo os relicários
passeio pelo pescoço
morro
no solo de suas mãos.

quinta-feira, julho 20, 2006

Mochila Vazia

eu
quando olho nos ollhos
sei quando uma pessoa está por dentro
ou está por fora
quem está por fora
não segura um olhar
que demora
de dentro de meu centro
este poema me
olha
Paulo Leminski
Minha mochila de lembranças, alegrias e tristezas, que
carrego desde sempre, de pesada ficou leve,
de rostos protagonistas, inesquecíveis,
ja muitos nem lembro,
outros tantos que nao via a minha vida sem,
hoje nem conhecimento.
Ao mesmo tempo, tenho certeza de que o meu também
assim o é pra alguém,
nessa peça pastelão,
de rostos esquecidos
e de outros que virão.
Tico Cardinal

terça-feira, junho 27, 2006

Página 32


Hoje eu a fechei dentro de um livro, entre as páginas 32 e 33, justamente quando a mocinha vai dar aquele beijo no mocinho, sim, ela vai dar o beijo, aquele que diz tudo, que sangra, que faz com que o pobre tenha que se afastar pra que ela não perceba o crescente de sua paixão..bem nesse ponto, eu a fechei!!
Sim eu a fechei dentro do livro, por que conheço essa historia, não que tenha lido o livro inteiro, não, mas a história, essa eu conheço bem! Ela vai se meter em com algum dragão, vai ser raptada por algum vilão, vai tropeçar e torcer o tornozelo e o coitado do mocinho, o pobre terá que se desdobrar e toda aquela função de sempre vai ter que suportar, e pior, vai gostar.
Fechei nessas paginas 32 e 33, a ansiedade, paixão, desejo, raiva, tesão, fechei com ela minhas horas, minhas noites mal dormidas, a solidão dos amantes, o chamado das viúvas, deixei tudo ali dentro, e dentro jogado em qualquer lugar da estante de todos tantos outros livros que já desisti.
Que ela, fique ali, dentro desse livro, e que ele fique ali, dentro daquela estante, e quando, e se eu ainda tiver coragem, eu o procurarei outra vez, e quando, se eu achar, eu o lerei novamente, á partir das paginas 32 e 33.


Texto- Tico Cardinal
Foto/imagem - Manoela Afonso... acessem o link abaixo!!!!!!!
www.manoelaafonso.zip.net

sexta-feira, junho 23, 2006

Tarde vazia




A noitinha chegou. Amarela, molhando a terra, colorindo paredes, trazendo tons e perfumes que só as tardes de inverno possuem. Passos apressados passam e se perdem e me pergunto se nesse exato momento quantas pessoas estariam resmungando alguma praga por causa do seus cabelos armados pela chuva, quantos corações estariam apertados, felizes, ansiosos, perdidos, tristes. 
Vendo todas essas cores pela vidraça da janela, essa transparente e embaçada, fico imaginando.
A noite veio em seguida já sem tantas cores, só a dela mesma, escura e melancólica. Espero as horas correrem, escorregadias entre os dedos do Sr.Tempo, mas que fazem os relógios funcionarem lentos, envelhecendo um ano a cada minuto. 
Mas que a noite comece, que seja realmente longa e vermelha, em contraste com o amarelo de outrora, que venha quente e úmida, pois só é meu o momento agora, minha sede volta, o brilho nos olhos e o apurado gosto pela caça!